Quem somos

A OldNewBox produz conteúdos de ilustração e texto. Busca apresentar a Bíblia através da arte com ênfase em seu contexto literário e histórico, a fim de expandir o imaginário dos leitores em direção a um Deus que se revela além de nossas concepções.

Por que a Bíblia?

O livro mais influente, mais publicado e mais lido na história do mundo é a Bíblia. Nenhum outro livro foi tão estudado e tão analisado, e é um tributo à complexidade da Bíblia e à ânsia de seus estudantes que, após milhares de anos de estudo, ainda há livros infinitos que podem ser escritos sobre ela (ASIMOV, 1981, p. 7, tradução nossa).

É na compreensão do impacto da Bíblia no passado e de sua contínua relevância no presente que tomamos a mesma como objeto de estudo e produção artística. Sua influência vai além do escopo religioso, e desta forma, crentes e não crentes são convidados a conhecê-la.

A marca

[…]todo mestre da lei instruído quanto ao Reino dos céus é como o dono de uma casa que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas(Mt 13:52 NVI).

Dentre as várias interpretações desta parábola, destacamos duas que vão ao nosso encontro:

  • O conteúdo do tesouro como o Antigo e Novo Testamento – as “coisas novas e velhas” ressaltam nosso escopo representativo, sendo este o cânon protestante composto de 66 livros, do Gênesis ao Apocalipse;
  • O conteúdo do tesouro como fonte inesgotável – sabendo que a Bíblia tem o potencial contínuo de surpreender aos olhos mais atentos, procuramos representar seus novos vislumbres através da arte, especificamente por meio de ilustrações.

Método

A construção do método para a elaboração das ilustrações bíblicas da OldNewBox se divide em quatro passos, sendo eles:

  1. Imaginário – pense em um anjo, como ele se parece? Provavelmente você imaginou um homem com um par de asas. Independente se o palpite está correto ou não, a imagem que veio à mente é fruto de seu imaginário. Desta forma, em nível pessoal ou coletivo, o imaginário se constrói na concepção mental ou na produção e consumo de obras visuais e linguísticas, das quais solidificam símbolos e imagens pré-estabelecidas aos indivíduos ou sociedades (WUNENBURGER, 2007, p.11).
  1. Adaptação – qual a cor da nota ré? Dois meios, pintura e música, não conseguem estabelecer paralelos exatos entre si, entretanto, é possível inferir que acordes menores e tons azuis possam evocar tristeza e melancolia. Sendo assim, toda produção artística quando transposta de uma mídia para outra, inevitavelmente sofre mudanças em seu conteúdo, seja pela característica individual de cada meio como também por suas limitações.
  1. Propósito – personagens como Homem-Aranha e Batman já possuem suas histórias de origem canonizadas, entretanto, ainda continuam a receber novas versões, seja nos quadrinhos ou em filmes, com as nuances de seus respectivos autores. Da mesma forma, toda obra de adaptação de um material original possui um propósito em si, uma mensagem a ser comunicada, podendo ir de encontro à proposta do material original, trazer uma nova perspectiva ou até mesmo confrontar. Não há uma forma correta e definitiva de adaptação, mas sim propósitos diversos.

Ao longo dos séculos, foram diversos os movimentos e artistas que se propuseram a reproduzir e adaptar o texto bíblico em pinturas ou gravuras. Em tempos mais recentes, também em novos formatos como desenho animado, filmes, séries, novela, quadrinhos etc. Com propósitos tão diversos entre si, quanto dessas adaptações desenvolveram em nós um imaginário bíblico distinto daquilo que é descrito no material original? Que adições ou omissões podem ter sido inferidas nestas produções? Tais mudanças alteram nossa interpretação do texto?

  1. Poética – É com base nestes questionamentos que a poética, ou seja, a pesquisa artística da OldNewBox se constrói. A metodologia consiste na reprodução de ilustrações bíblicas buscando ser o mais fiel possível ao material original. Não para se propor como método correto, único ou definitivo, mas para analisar o quanto nosso imaginário se distancia ou se aproxima da Bíblia. Para tal, são três os pilares de produção:
    1. A Bíblia como material base – estudo hermenêutico de um texto escolhido levando em consideração a Bíblia como revelação divina, mas também como literatura humana, analisando as características e peculiaridades de cada autor;
    2. A arqueologia e história como ferramentas auxiliares – estudo arqueológico para auxiliar no preenchimento das lacunas que o texto bíblico deixa, tornando-se uma ferramenta que auxilia na contextualização das histórias;
    3. A ilustração digital como meio – representação visual do texto escolhido com base na soma do estudo hermenêutico em conjunto às informações extrabíblicas coletadas por meio de pesquisa, resultando em produto final.

O autor

Matheus Ogalha é ilustrador e designer gráfico freelancer morando na cidade de Jacareí – SP, Brasil. Formado em Comunicação Visual (ETEC José Rocha Mendes – 2015) e Teologia (Unasp-EC – 2020), junta as paixões por arte e teologia em projetos como a OldNewBox. Gosta de animes, quadrinhos e videogames e se inspira em artistas como Moebius e Hayao Miyazaki.

Referências bibliográficas:
  1. ASIMOV, Isaac. Asimov’s guide to the Bible: two volumes in one, the old and new testaments. 1. ed. New Jersey: Wings Books, 1981.
  2. WUNENBURGER, Jean. O imaginário. 1. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2007.
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