Descrição:

No último dos sete oráculos de juízo contra o Egito, o profeta Ezequiel entoa uma poesia de lamentação contra esse povo. Em sua descrição, o Faraó desce junto de seus cidadãos ao Sheol. Todos, traspassados por espada, juntam-se a outras nações que, outrora poderosas, tornaram-se apenas montes de ossos em seus túmulos sob a terra.

Técnica: pintura digital.

Dimensões: 4.961 x 4.961 px.

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O Faraó traspassado: em seu cântico de lamentação, o profeta Ezequiel não menciona especificamente qual seria o Faraó que desceu ao Sheol junto de seu povo. Pelo caráter poético da descrição, sua ênfase atua mais em campo simbólico, descrevendo a queda do poder egípcio pela Babilônia. Entretanto, é razoável identificar este líder como sendo provavelmente o Faraó Hofra (ou Apries, seu nome em grego), o mesmo citado em Jeremias 44:30. Isto porque o texto de Ezequiel foi escrito por volta de 586-585 a.C.1, data esta que se enquadra no período do reinado deste Faraó (589-570 a.C.)2.

O Sheol: o termo שְׁאֹל (heb. Sheol) possui significados como “túmulo”, “sepulcro” e “cova”3, sendo utilizado de forma literal em textos como Gênesis 37:35 e 1 Reis 2:6, 9. Entretanto, esta palavra também pode ser traduzida como “reino da morte”3, fazendo alusão à ideia de mundo inferior semelhante às crenças de outros povos do Antigo Oriente Próximo, como os mesopotâmicos4. Esta aplicação se dá em textos poéticos como Ezequiel 32:17-32 e Isaías 14:9-11. Nesta segunda perspectiva, o Sheol reflete o imaginário antigo moldado pela experiência com a morte e a decomposição dos corpos, amplificando a ideia ao descrever um ambiente cheio de larvas e vermes, correntes e laços, sepulturas, túmulos, câmaras, portões etc. Este local é visto como o lugar mais profundo do mundo, a antítese do Céu (Jó 11:8; 139:8; Pv 15:24; Am 9:2).

Referências bibliográficas:
  1. BÍBLIA. Bíblia de estudo Thomas Nelson. 1. ed. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2021, p. 1584, nota de rodapé 32:17-32.
  2. List of Rulers of Ancient Egypt and Nubia. The Met, out. 2002. Disponível em: https://www.metmuseum.org/toah/hd/phar/hd_phar.htm. Acesso em: 27 mai. 2025.
  3. SCHÖKEL, L. A. Dicionário Bíblico Hebraico-Português. 6. ed. São Paulo: Paulus, 2014, p. 651.
  4. WALTON, J. H. O Pensamento do Antigo Oriente Próximo e o Antigo Testamento: Introdução ao mundo conceitual da Bíblia hebraica. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2021, p. 343-345.
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